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July 2012
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“Na calçada presenciei um fato incomum. Um singelo rapaz, no auge da subconsciência motivada por uma encantadora paixonite pela recém-namorada – a primeira garota que o aceitou, provavelmente –, a presenteia com uma (grande, enorme, vexatoriamente estratosférica) almofadinha no formato de um coração, cor vermelho-sangue. e o palco cercado de desconhecidos transeuntes, todos empaticamente envergonhados por ele, como eu. Na hora pensei o que, aposto, você está pensando agora: “que imbecil, será que ele não percebe que está se expondo? Será que ele não se dá conta que mulher nenhuma recebe bem uma manifestação pública e revolucionária desse quilate? Será que ele não antevê que se continuar gelatinoso desse jeito ela o trocará pelo primeiro babaca de marca maior que conhecer? Será que ele não desconfia que tudo isso terminará em frustração, dor, arrependimento, traumatismo e pão-durismo do cérebro na liberação da dopamina futura?”. Isso tudo eu pensei sóbrio. Mas quer saber a verdade? Amar sem nenhum ato insano não é amar. É outra coisa qualquer, normal. E o amor não é normal – a falta dele sim. Vai ver é por isso que cometemos as maiores “besteiras” da nossa vida quando estamos sob o efeito da dopamina que a paixão libera no cérebro. Cientistas já divulgaram, em algum periódico da área, que o amor romântico produz no apaixonado efeitos parecidos com a cocaína na mente. Faz sentido, eu poderia jurar que o garoto da almofadinha estava mais batizado que o Jim Morrison em dia de show.”
—(Gabito Nunes)
“E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos.”
—(O Diário de Anne Frank)